O Paradoxo do Tomate

Cismei de escrever uma crônica. Tinha assunto, me faltava o resto. 
Catei umas palavras na gaveta, outras no dicionário e também aquelas do meu bloco de notas. Uma chegou querendo ser verso. 
Deixei de lado. 
A crônica não saía. Vieram outros versos. Mandei embora. Voltaram gargalhando e rimando. 
Eu insisti na prosa. 
Escrevi uma frase correta, depois outra. Na terceira desconfiei que estava fazendo redação. Apaguei tudo e comecei de novo. 
Sem dicionário, sem verso, sem palavra difícil. Só a ideia. 
Também não coube. 
Desisti da crônica e fui fazer o almoço. Cortei daqui, misturei dali, temperei a gosto. Foi quando entendi o texto que não escrevi. 
O tomate é fruta e não cabe na salada de frutas.