Poema Objeto
Por linhas tortas
Quadros e poemas
Folhas em branco
Palavra chave
Verso abolido
Leituras possíveis
Possibilidade expressiva
Leituras possíveis
Verso abolido
Palavra chave
Quadros e poemas
Folhas em branco
Por linhas tortas
Em si por si
Gol do Galo
Lembrei das cores
Saudei a massa
Contemplei o lance.
De que vale a métrica?
De que importa a rima?
Pra que serve a técnica?
Se gritaram GOL
Se bradaram:
GALO!
De Pessoa a Drummond
”Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.”
Estive em Coluna nesse fim de semana.
Andei pelas ruas, visitei parentes, contemplei as paisagens de minha infância.
Tantos personagens dessa grande peça já se foram...
Faltam tantas falas...
Nesse processo nostálgico estive pensando sobre o que me leva a voltar sempre ao mesmo lugar, sabendo que nada será como antes.
Talvez seja a certeza de que é necessário dar continuidade ao processo.
Contar uma nova história.
Somos, agora, os protagonistas.
Substitutos dos que já não são mais.
Novos, pequenos e grandes personagens esperam de nós um novo enredo.
E eles surgem para compor a cena.
E ... “O presente é tão grande ...”
É necessário que...
“Não nos afastemos muito...
Vamos de mão dadas...”
Adelina Correia. De Pessoa a Drummond
Os causos do “Taíde”: João Mendonça
Lá pelos 1950 oriundo da região do nosso município, chegou a Coluna, João Mendonça Ferreira.
Casado com a Maria foi a primeira casa a ser construída no alto do cruzeiro. O ambiente foi muito rápido, pois o Mendonça fazia tudo, era pau para toda obra e o lugar necessitava de pessoas assim.
Com a chegada de Padre Sady, não demorou muito para que os dois ficassem bons amigos. Era só o padre vê-lo na praça, descia as escadarias da casa paroquial para saborear do delicioso rapé que o Mendonça não dispensava por nada. Batiam papos, lembravam do seu Hermógenes, Espíndola, do Orozimbo e de todos os pioneiros que edificaram a nossa Igreja Matriz. Mendonça, às vezes bebia uma cachacinha a mais, e ficava meio serelepe, a ponto de sair do sério. Certo dia deu uma pulada fora, traindo assim a Dona Maria que não merecia tal atitude. Arrependido foi ao Padre Sady: “Louvado sois Cristo padre! Para sempre, Mendonça, o que se quer? Ah! Seu pade, que queria cunfessá! Confessar, Mendonça, o que você aprontou por ai? Eu mexi fora! O que? Você adulterou? Adulterar eu não sei que qui é não, o que sei é qui eu pulei a cerca! Cadê sua esposa, Mendonça? Coinfeito! Quero que o Senhor me perdoa e me dá a pinitência. Seeei! Pensou: ô meu caro, você vai rezar trezentos pai-nossos, trezentas ave-marias e trezentos glória ao Pai! Mas isso é muito, pade!... Seeei! Pode pagar em suaves prestações, mas, se houver reincidência, eu vou te mandar para as profundas do inferno! E o Mendonça saiu quebrando a cabeça, pensando: o que será essa tal de reincidência?
Os causos de “Taíde” / O Caminho, ano I-Edição 13-Pág.:03-Coluna/MG - Fevereiro 2010
Quero ir embora pra Pasárgada
Idealizava ser inútil por um dia
Esquecer obrigações, e sentir como seria
Durou pouco o devaneio
Afazer logo veio
Partiu ao desejo pelo meio
Desocupo do inútil
Vou cumprir agenda útil
De repente até fútil
Quero ir embora pra Pasárgada
Lá eu também sou amigo do rei
Lá sou amigo do poeta
Colibri
Inquieto, assoviou ao meu lado
Trazia prenúncio de um novo amor
E certeza de dias apaixonados
Rápido, gracioso, seguiu viagem
Bateu asas, saiu sem discrição
Talvez levasse outra mensagem
Dessas que alegram o coração
Paixões são sempre assim
Inesperadas, aparecem do nada
Às vezes têm triste fim
Às vezes, uma história encantada
Mas a pequena ave voltou
Com uma notícia um tanto incerta
“O estado afetivo acabou”
Meio sem fala avisei:
_ Vou deixar a janela aberta!
Leituras possíveis
Está escrito, que a vida passa.
Embora fiquem, escritos e livros.
É preciso antes de escrever,
Saber ler.
Consciência
Para a viagem: direção, companhia, paisagem.
Para fila: livro, papo, revista.
Para a noite: lua.
Para a solidão:
Companhia,
Paciência,
Oração.
Do papel ao [del]
Homem urbano
Ao fone do “ipod”
Recolheste a ti
Toda a música
Que o mundo tem
Procuraste pelo ônibus
Uma poltrona individual
Foges sem saber
Do elevador social
Intriga-se ao perceber
Tal atitude, tal fúria
Até certo prazer
Às vezes amargura
Homem urbano egoísta
Egometa, egocêntrico
Não importa a conquista
No final descontente
Sobre a poesia e o poeta
Contida se liberta de dentro
Faz suspiros em tu, eles
Choro em ele, vós
Palavras se tornam “nós”
Poesia é solidão
Poeta é solitário
Talvez seja sim ou não
(So)neto involuntário
O poeta de nada tem certeza
Lêem poesia com clareza?
Tu, eles e vós identificais?
E o poeta descontente
Sente na alma a solidão
Um doer no coração
Não descrevi meu sentimento
Chuva
Júbilo aroma, terra pantanosa
Infância etérea, brincadeira na enxurrada
O teto
Meu Deus! E este teto! E, agora vede:
No concreto bruto sobre a parede,
Protege-me a pele, então me recolho.
Vou mandar derrubar a parede
Digo. Erguê-la ainda, somente com o olho
E olho o teto. E vejo-o ainda, intriga-me o olho
Figura imóvel sobre minha rede!
Levanto. Esforços faço. Chego,
Quase a tocá-lo. Minh’alma se concentra.
Que arte produziu tão perfeito quadro?
A consciência humana é este teto!
Por mais que a gente a faça, a noite ele esta lá
Imperceptivelmente em nosso quarto.
Adaptado de: O Morcego - Augusto dos Anjos
Eu e o poeta
Com medo da harmonia
Os verbos conjuguei
Mas nada de poesia
Aflito e sem rima
Invoquei o poeta
O pintor das palavras falou,
que a rima não é solução
E com jeito de anjo torto
ele ainda sussurrou:
Você também é canhoto
Os causos do “Taíde”: Joaquim Pereira
O folclore sempre marcou presença em nossa Coluna assim como a preservação da nossa cultura.
Na rua da várzea pertinho de Maria Vitorina, Nica de Bertulina, João da Esmeralda e Chico Tibucio morava Joaquim Pereira da Fonseca tio do nosso saudoso vice-prefeito Geraldo Pereira.
O Joaquim foi o maior comilão que nós vimos.
Em comícios, casamentos, em casa ou onde ia trabalhar, comia quase as panelas, gamelas e os talheres.
Certa vez o Nezinho seu irmão foi escolhido com dona Maria Chumbo para os patronos da Trezena de Santo Antonio. Nezinho o convidou para ajudá-lo angariar alguns leilões.
Desceram, chegaram à fazenda dos Aguiar, estava na hora da ordenha. Dona Sílvia havia feito café com leite e angu doce, ele tomou um copo de litro e dois “pratões” de angu doce.
Seguiram a viagem, no Sebastião Freitas dona Aninha estava fazendo requeijão, ele comeu um prato de ágata de requeijão quente e outro de doce de leite mole.
Desceram mais, lá no Pedralvo dona Negrinha havia apanhado um balaio de puxar milho de laranjas. Ele chupou a metade do balaio de laranjas serra d’água e campista.
No seu Miguel de Abreu ele achou o que mais gostava, bolo de fubá e brevidade. Comeu quase a gamela toda.
Nezinho preocupou-se e decidiu voltar como medo do Joaquim passar mal.
Chegaram!
Nezinho pediu ao Geraldo para saber de o Joaquim havia chegado bem, e se sentisse mal era para tomar bicarbonato.
Chegou, vovó?
Papai mandou eu perguntar se tio Joaquim chegou aqui bem?
“Chegou meu filho; chegou, comeu dois “pratões” de carne passadinha com quiabo e angu e ta dormindo”.
“Escuta pra você ver a altura do roncado dele e os tamanho dos puns que ele ta soltando”.
Foi quando ouviram: “Oh mãe, a carne passadinha com quiabo acabou?” “Se acabou a senhora faz um tutu com “seis ovo frito” que eu tô morrendo de fome”.
“Este meu filho! É pior que o monstro de Itamarandiba.”
Os causos de “Taíde” / O Caminho, ano I-Edição 04-Pág.:03-Coluna/MG - Maio 2009
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Peixe de aquário
Sistema sensorial, diferentes células
Cores intensas, padrão fusiforme
Barbatanas longas, não sei quando dorme
Eu tenho um bem ali
Naquela cultura aquática
Naquele bojo minúsculo
Que lhe faz perder a prática
Esquecido se torna incógnito
Na sua gota oceânica
No seu ambiente insólito
De uma vida nem monogâmic
De Drummond a Neruda
Fiquei pensando num poema que a caneta não quis escrever
Tomei então este verso emprestado do poeta e resolvi deixar a tinta escorregar pelas linhas, ora calma, ora indecisa e muitas vezes, desatinada, sem destino.
E o tecido que se forma no papel borda as memórias que são como vento de outono, carregando folhas bailarinas...
A lembrança foge e brinca com nossos sonhos e desejos de infância.
Nosso tempo está além das montanhas da Coluninha, à léguas de nós que vagamos sem parar na estrada do sem fim.
“Saudade é sentir que existe o que não existe mais..."
Adelina Correia.De Drummond a Neruda/
Vênus
Inspiração, não escrevo
Insegurança, não cuido
Vinde a mim a calmaria
Sossegue todo meu ser
Um nirvana!
Quem diria?
Ficar junto de você
Amo-te muito simplesmente
Intriga-me não entender:
Por que entregastes se me teve?
Um pouco de cordel
A Insônia que incomoda
é a noite mal dormida
é olhar para o teto escuro
e ter na cama uma inimiga.
É pensar no amanhã
é lembrar-se do que foi ontem
é sentir pela manhã
que o sono ficou longe.
Ela vem e domina
faz de tudo para eu esquecer
tudo aquilo que me nina
para não me ver adormecer.
É querer ir para a tevê
é ter que rolar na cama
é a duvida em saber,
Ela odeia ou me ama?
Zero Hora
Até zero hora
tenho que reunir,
como num quebra cabeça,
os pedaços deste ano
assim como os meus,
que por ele fui deixando.
Até zero hora
tenho que saber dos que amo
perto de mim,
para compensar a falta que me fizeram
nas entrelinhas do ano velho.
Até zero hora
tenho que me preparar,
com a concentração de um atleta,
para o grande salto.
Mônica de Catella.Transanças / Ano Novo, pág.: 23
Os porquês
E deles, o mais incômodo de todos.
Por que você foi embora?
Com isso eu nao contava
Não sei o que e nem porque, mas algum significado isso tem.
Mas como na vida às vezes tem que ser esquecido para ser lembrado, talvez seja isso.
O fato é que esse blog ainda não foi encerrado, o tempo que ficara sem atualização não passou de um mero blackout tecnológico, tipo; sem internet mesmo.
Por isso dedico essa final de noite a escrever esse post, e dizer a todos vocês: fiquem à-vontade, sejam bem vindos!
Dirvirtam-se.
Natal
Ignoram o saldo bancário
Todos juntos sorridentes
Festejam o crediário
São as trocas de presentes
Prefácio
Pés descalços na areia
Jabuticaba, pé de manga
Abacate, goiaba e laranjeira
Um livro a ler, uma história a escrever
Unfollow
Tu adicionaste
Ele engajou
Nós comentamos
Vós compartilhastes
Eles cancelaram
Se Raul twitasse
Pra fazer sucesso/ Pra vender disco
De protesto/ Todo mundo tem...”
Que twittar...
O semáforo
O semáforo
O semáforo piscou
O semáforo piscou luz
O semáforo piscou luz amarela
O semáforo piscou luz amarela, depois
O semáforo piscou luz amarela, depois, vermelha
O semáforo piscou luz amarela, depois, vermelha, depois
O semáforo piscou luz amarela, depois, vermelha, depois, verde
O semáforo piscou luz amarela, depois, vermelha, depois
O semáforo piscou luz amarela, depois, vermelha
O semáforo piscou luz amarela, depois
O semáforo piscou luz amarela,
O semáforo piscou luz
O semáforo piscou
O semáforo
O
Os causos do “Taíde”:Azemar Lopes: O Dentista
“Seja alegre, procurando fazer todo o bem que puder nos dias que permanecer na face da terra”.
Nossos antepassados não mediam esforços em atender as comunidades, pois naquele tempo éramos desprovidos de tudo devido à falta de estradas, saneamento básico energia e etc., obrigando o nosso povo a enfrentar tudo talvez até na raça, arriscando até serem chamados de charlatões, que na verdade eram verdadeiros autodidatas. E falando em profissionais práticos, nos lembramos de Azemar Lopes dos Santos, casado com Dona Helena de Totônio, grande altruísta, simpático, inteligente, colaborador sobre tudo dos mais pobres.
Gostava por demais de uma cachacinha mais quando solicitado saia as carreiras para atender qualquer chamado e até fingia sobriedade mediante tal pedido.
Praticou-se em extrações de dentes, próteses e até o routh que uma vez moldados e remetidos ao Rio de Janeiro voltavam brilhantes para enfeitar as bocas de nosso povo colunense.
O bom tiradentes estava sempre às ordens dos sofredores de uma das maiores dores.
Certa vez, o Onofre da Nely desatinado de tanta dor e apesar do medo de sentar-se em uma cadeira de dentista procurou o Azemar. Chegando, logo observou pela vermelhidão que o mesmo estava de fogo. Mas falou: Estou mal! Azemar estou quase morrendo de tanta dor de dente!
Sente-se aqui Onofre, vou lhe aplicar a melhor anestesia do mundo a novocaína e você nem sentirá seu molar sair.
Onofre sentou-se, um olho no estojo com a agulha e o outro no rosto vermelho de Azemar.
Abra a boca Onofre, mas o invés de anestesiar o nervo do dente anestesiou foi língua de Onofre. A língua foi crescendo, crescendo e o dentista resolveu ir a Jovita Preta beber mais uma enquanto a anestesia desse efeito.
Voltou, pegou o boticão, a língua já não cabia na boca.
Bateu no dente, dói Onofre? Dooooi.... Qui diacho, pegou outra novocaína anestesiou mais ainda a língua, bateu novamente, dói Onofre, doooooii! Vou arrancá-lo de qualquer jeito, levou o boticão, o Onofre puxava pra baixo, o boticão puxava pra cima, e foi aquele Deus nos acuda até que ele saiu com o dente no boticão e disse: “Eta biscoito duro sô! Tá qui Onofre”. Mas o paciente não pode escutar, pois desmaiara na cadeira e o bom dentista exclamou; “foi tamanho o alivio que o meu cliente até dormiu!”
Dona Helena disse: “ele esta é desmaiado Azemar, traga rápido um algodão embebido de amoníaco e saia daqui com este seu bafo de onça que derruba qualquer pessoa.
Os causos de “Taíde” / O Caminho, ano I-Edição 09-Pág.:03-Coluna/MG-Outubro 2009
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Ciclo
O primeiro choro
O primeiro passo
O primeiro grito
A primeira palavra
A primeira professora
A primeira namorada
A primeira formatura
A primeira despedida
O primeiro emprego
O primeiro carro
A primeira aliança
O primeiro filho
O primeiro choro
O primeiro passo
A insistência da sucessão
Essência
Quem tu vês sorrindo
Às vezes se lamenta
Nem sempre ri
Refugia
Chora
Tu
Não
Vê
Ensaio
Forma fixa, pequeno poema.
Duas quadras, dois tercetos
produzidos em determinado tema
Consultei os principais sonetistas.
Estudei com afinco, alexandrismo e clássico.
Por vez fiquei muito otimista
mesmo em infração ao verso decassilábico.
Engajei-me em tarefa difícil,
a expressão do sentimento lírico.
Mas há de valer todo sacrifício.
Tal impertinente fantasia
envolvida em ambiente quase místico
em busca da completa poesia.
numeropoesia
77 verbetes riscados, ignorados.
7 folhas amassadas, descartadas.
3 linhas publicadas.
Desperto do sono
Descobri que não dormia
Desperto do sonho
Os causos do “Taíde”: Seu Zé Marques
Tive acesso há pouco às primeiras edições de “O Caminho”, periódico de publicação mensal em Coluna – MG, coordenado pela paróquia. O expediente é modesto, no entanto muito eficiente e conta o apoio do povo colunense, seja no envolvimento direto da publicação, na leitura ou na divulgação do material. Um desses colunenses é o Taíde, figura ilustre, popular e solidária, que vem contribuindo com bom humor e cultura com “Causos do Taíde”. Com espaço definitivo no jornal, ele conta histórias de pessoas e lugares daquela região. Publicarei a partir de agora aqui no blog -imaginando a anuência do Taíde para tal - os textos divulgados pelo Taíde, como uma forma de estender e contribuir com o resgate da história colunense.
Com o tempo, os “lapecussa” conseguiram levar o seu Zé quase à falência. Com mais de dois quilos de papéis de débitos, o seu Zé começou a tratar mal seus fregueses; chegava um e dizia: - Seu Zé o senhor tem rapadura? Tem NÃO!... Chegava outro, Seu Zé o senhor tem cachaça do seu Getúlio Gonçalves? Tem NÃO!... O senhor tem Martine? Tem NÃO!...
E um freguês que vivia bebendo a sua “cãnjibrina”, disse: Seu Zé, o senhor está tratando muito mal a sua freguesia; se o senhor não tem rapadura ofereça açúcar, adoçante zero cal ou açugrim, se não tem a cachaça do seu Getúlio, ofereça o do Firmino de Abreu, se não tem martine, tem um outro vermuth o cinzano por exemplo!... Ah menino, sabe que “ocê” ta certo! E nisto foi chegando uma mocinha; seu Zé o senhor tem papel higiênico? Tem não minha filha, mas tem bombril, tem palha-de-aço, tem lixa grossa e tem jornal, que é só “ocê” “amassá” bem que limpa igual o sabugo de milho!
A mocinha olhou no rosto enrugado do seu Zé e pensou consigo: Ah! Se não fosse as barbas brancas e os cabelos desse papa-mel, eu mandaria este filho de uma ronca-e-fuça enfiar estas barbas naquele lugar”Os causos de “Taíde” / O Caminho, ano I-Edição 01-Pág.:03-Coluna/MG-Fevereiro 2009
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A despedida
Ela não se despediu dele com o lenço em punho
ou acenando ao vê-lo partir a bordo do transatlântico.
Não sorriu depois do beijo que ele soprou em sua direção
na estação de trens.
Nem lacrimejou após a aeronave levantar voo
na pista de decolagem.
Não houve suspiro, nem grito de dor.
O silêncio ocupou o ambiente.
Ela apenas fechou os olhos.
Assim se despediu dele para sempre.
Felicidade momentânea
Quantos poemas a compor,
festas para ir,
viagens a fazer,
bocas a beijar.
Quantas manhãs para dormir,
vinhos a beber,
músicas a dançar,
mulheres para despir.
Quantos livros a ler,
ruas para andar.
Quantas orações a fazer,
quadros a pintar.
Quantas chuvas de verão para te banhar.
Vá!
Arrebata-te!
Liberta-te!
Seja feliz!
Depois volte!

