Caminho do sol
na rua madrugada
em direção à rua
amanhecer.
Peixe de Aquário
Ser vertebrado respira por guelras
Sistema sensorial, diferentes células
Cores intensas, padrão fusiforme
Barbatanas longas, não sei quando dorme
Eu tenho um bem ali
Naquela cultura aquática
Naquele bojo minúsculo
Que lhe faz perder a prática
Esquecido se torna incógnito
Na sua gota oceânica
No seu ambiente insólito
De uma vida nem monogâmica
Entre Tempos
Rever
Intervalo
Os versos fugiram, há tempo
Papel, caneta, lápis, teclado
Todos aqui, ao meu lado
Falta à pena, alento
Vira-latas
Se
O avião pousar
Perfil
A marcha dos versos vadios
Sobre coisas, lembranças e infância
Pronto! Está ai, uma boa lembrança. Álbum de fotografias! Objeto em desuso, em tempo de máquina fotográfica digital. Hoje em vez de foliar um encadernado de retratos sobre o colo, acompanhamos sincronicamente a exibição de imagens frente à tela do computador.
Computador é algo que me faz ter outras lembranças. Penso em computador, passo pela impressora e chego ao mimeógrafo. É como se eu viajasse no tempo. Posso sentir o cheiro de álcool na folha ainda umedecida que a professora do ensino primário entregava. Não sei dizer se lição, prova ou qualquer outra atividade, mas posso sentir o aroma passear por entre o septo e os sentidos.
Cheiro de livro novo é outro que me faz lembrar escola. Cheiro tem esse poder transcendente de nos transportar mentalmente para tempos e talvez até mesmo espaços esquecidos. Cheiro de mato é outra coisa que me espanta e encanta. Basta sentir aquele perfume de terra misturado a orvalho, para como magia reconhecer e percorrer cenários que não mais existem, a não ser em minhas lembranças.
E por fim me dou conta de que todas essas lembranças se remetem à infância. Evidente que não poderia esquecer de citar a mais saborosa das lembranças. A infância. Época mágica, de sonhos, pura e protegida pelo amor materno.
Oficina de Haicai II
Soneto à luz da lua
Noturno
Entre lua e estrela
Oficina de Haicai
Rubber Soul
Felicidade Momentânea
Quantos poemas a compor,
festas para ir,
viagens a fazer,
bocas a beijar.
Quantas manhãs para dormir,
vinhos a beber,
músicas a dançar,
corpos a despir.
Quantos livros a ler,
ruas para andar.
Quantas orações a fazer,
quadros a pintar.
Quantas chuvas de verão para te banhar.
Vá! Arrebata-te! Liberta-te!
Seja feliz! Depois volte!
Colibri
Preâmbulo
Peixe de aquário
Poesia de janela
Eu vejo a rua, a lua
Também a chuva
Eu vejo o céu
Hora cinza, vez azul
Da minha janela
A tela que não pintei
Eu "vejo" a canção
O acorde que não toquei
Da minha janela
Eu vejo o sol nascer
Eu vejo o pôr do sol
Eu vejo os versos
O teto
Meu Deus! E este teto! E, agora vede:
No concreto bruto sobre a parede,
Protege-me a pele, então me recolho.
Vou mandar derrubar a parede
Digo. Erguê-la ainda, somente com o olho
E olho o teto. E vejo-o ainda, intriga-me o olho
Figura imóvel sobre minha rede!
Levanto. Esforços faço. Chego
Quase a tocá-lo. Minh’alma se concentra.
Que arte produziu tão perfeito quadro?
A consciência humana é este teto!
Por mais que a gente a faça, a noite ele esta lá
Imperceptivelmente em nosso quarto.
Adaptado de: O Morcego - Augusto dos Anjos
Ritual, decisão e desencontro parte dois
Ensaio
Ensaio por João Lenjob - Castelo do Poeta
Ansiava compor um soneto,
Forma fixa, pequeno poema.
Duas quadras, dois tercetos,
produzidos em determinado tema.
Consultei os principais sonetistas,
Estudei com afinco, alexandrismo e clássico.
Por vez fiquei muito otimista,
mesmo em infração ao verso decassilábico.
Engajei-me em tarefa difícil,
a expressão do sentimento lírico.
Mas há de valer todo sacrifício.
Tal impertinente fantasia
envolvida em ambiente quase místico
em busca da completa poesia.
Ano passado?
continua incessantemente.
Em vão marco novos encontros.
Todos são encontros passados.
e as pessoas, também as mesmas,
com iguais gestos e falas.
O céu tem exatamente
sabidos tons de amanhecer,
de sol pleno, de descambar
como no repetidíssimo ano passado.
sepultam-se todos os dias.
Escuto os medos, conto as libélulas,
mastigo o pão do ano passado.
Não consigo evacuar
o ano passado.
Ensaio
Forma fixa, pequeno poema.
Duas quadras, dois tercetos
produzidos em determinado tema
Consultei os principais sonetistas.
Estudei com afinco, alexandrimos e clássico.
Por vez fiquei muito otimista
mesmo em infração ao verso decassilábico.
Engajei-me em tarefa difícil,
a expressão do sentimento lírico.
Há de valer todo sacrifício.
Tal impertinente fantasia
envolvida em ambiente quase místico
em busca da completa poesia.
Poesia ao dois do onze
ou acenando ao vê-lo partir a bordo do transatlântico.
Não sorriu depois do beijo que ele soprou em sua direção
na estação de trens.
Nem lacrimejou após a aeronave levantar vôo
na pista de decolagem.
Não ouve suspiro, nem grito dor.
O silêncio ocupou o ambiente.
Ela apenas fechou os olhos.
Assim se despediu dele para sempre.
Eu e o poeta
Com medo da harmonia
Os verbos conjuguei
Mas nada de poesia
Aflito e sem rima
Invoquei o poeta
O pintor das palavras falou,
que a rima não é solução
E com jeito de anjo torto
ele ainda sussurrou:
Você também é canhoto
Biza e o Ipê-amarelo
Imagem: ipe-mareloavare http://goo.gl/2nMmG
Em tempo de face
Tu aceitaste
Ele solicitou
Nós compartilhamos
Vós comentastes
Eles sabem tudo de nós
Imagem: facebook-logo http://goo.gl/RP90M
A Mãe que ama
O cabelo,
Observo se está mais gordo
Mais velho.
E quero te dar um colo,
Um copo de leite,
Um conselho
Que se aproveite.
Para que fiques fora
Do alcance das balas
Nesse campo
De batalhas
Mônica de Catella. A Mulher que Ama. 1997
Sincronia
Eu que chorei,
Ao ver o sol se pôr
A maré subir
A lua minguar
E ver você ir
Sorri,
Quando o sol nasceu
A maré baixou
A lua cresceu
E você voltou
Sobre coisas, lembranças e infância
De repente começo a recordar de coisas, das coisas, e quando percebo, já fui tomado pelas lembranças. As imagens chegam soltas, aleatórias. É como um álbum de fotografias aberto em qualquer página. Daí eu avanço, ou volto, permaneço por mais tempo em alguma foto, ou passo rapidamente por outras.
Pronto!
Está ai, uma boa lembrança. Álbum de fotografias! Objeto em desuso, em tempo de máquina fotográfica digital. Hoje em vez de foliar um encadernado de retratos sobre o colo, acompanhamos sincronicamente a exibição de imagens frente à tela do computador.
Computador é algo que me faz ter outras lembranças. Penso em computador, passo pela impressora e chego ao mimeógrafo. É como se eu viajasse no tempo. Posso sentir o cheiro de álcool, na folha ainda umedecida que a professora do ensino primário entregava. Não sei dizer se lição, prova ou qualquer outra atividade, mas posso sentir o aroma passear por entre o septo e os sentidos.
Cheiro de livro novo é outro que me faz lembrar escola. Cheiro tem esse poder transcendente de nos transportar mentalmente para tempos e talvez até mesmo espaços esquecidos. Cheiro de mato é outra coisa que me espanta e encanta. Basta sentir aquele perfume de terra misturado a orvalho, para como magia reconhecer e percorrer cenários que não mais existem, a não ser em minhas lembranças.
E por fim me dou conta de que todas essas lembranças se remetem a infância. Evidente que não poderia esquecer de citar a mais saborosa das lembranças. A infância. Época mágica, de sonhos, pura e protegida pelo amor materno.
Imagem: http://goo.gl/jCHx0
Antípoda
As vezes me perco por lá
Não reconheço mais as ruas e estradas
Já não sinto os pés descalços marcar a lama.
Tenho hoje o horizonte cinza
e o asfalto quente que queima a alma.
A serra daqui é maior que a de lá!
De lá, ficaram lembranças
De cá, tenho o agora.
Lá ficou a infância
deitada no banco da cozinha
na casa de minha avó
com os causos que ela contava
Aqui,
a história que ela não contou
Eu e a esfinge
Quisera
Decidiu ser conto
Ao flertar com poesia
O quadro roubou a cena
Pintou uma rima
Ao som de uma canção
Quisera eu trocar
Todos esses caracteres
Que pensam ser rabiscos
Por crônica ou conto
Verso, pintura ou melodia
No sinal
Parado, pensei em crônica
Haikai no amarelo
Ritual, decisão e desencontro
Extremamente disciplinado mantinha sempre a mesma rotina. O mesmo horário, sempre tudo muito cronometrado. Pelo portão de serviço do prédio chegava à rua, e logo em seguida alcançava a praça do bairro onde caminhava há alguns anos.
Hoje foi diferente. Acordou, seguiu o roteiro de todos os dias até chegar ao portão, e pensativo decidiu fazer outro percurso. “__Todos os dias caminho pela mesma praça, já faz um bom tempo que vejo a mesma paisagem, as mesmas pessoas, o que é pior, sempre caminho em círculos, sempre encontrando as mesmas caras sem graça volta pós volta”.
Assim, nosso amigo, determinado a mudar o trajeto decidiu percorrer por outros destinos. Outros ares, outros olhares. Prosseguiu, virou as costas para a praça, e rumou em busca da avenida principal, onde poderia então cumprir sua meta de andar em linha reta em vez de círculos.
Passara cerca de trinta minutos quando Ele, distraído e contemplando o novo cenário cruzou com uma jovem que também caminhava naquela pista. Ela tinha olhos negros e grandes, os cabelos também negros, lisos, longos e amarrados evidenciavam ainda mais sua sensualidade. As curvas de seu corpo davam ao caminhar uma leveza que parecia fazê-la flutuar, apesar de andar a passos firmes e no pique que caminhada exigia.
Por instantes que pareceram intermináveis, Ele e Ela trocaram olhares. Flertaram. Ambos seguiram em frente. Continuaram a caminhada. Em linha reta em vez de círculos.
Os causos do “Taíde”: Pedralvo Chaves
Lá pelas bandas do Córrego do Figueira viveu Pedralvo Lopes Chaves ou simplesmente Pedralvo. Sorridente, espanéfico, hiper comunicativo e porque não dizer apreciava demais um rabo de saia. Em uma certa ocasião o Pedralvo foi a São João Evangelista juntamente com Álvaro Pereira, Zé Ruivo e seu Raimundo Barroso, como sempre esse quarteto não deixava de ir à região alegre da cidade, a zona boêmia.
Chegaram, belas meninas, música ao vivo, mancebos elegantes e Pedralvo loco enamorou-se de uma cachôpa; morena, pele sedosa, cabelos encaracolados, lábios cor de mel. Olhos nos olhos, já de mãos dadas, quando já se preparavam para uma romance mais íntimo, seus colegas o alertaram: Pedralvo, daqui na Coluna é longe, as estradas estão péssimas e o tempo duvidoso, seja rápido. A mocinha disse: perai! Ocê é o Pedralvo? Sim. Quantos Pedralvos tem em Coluna? Só eu. Sua esposa chama-se dona Negrinha? É. Então você é meu padrinho de Batismo. Ocê é filha de quem menina? Sou filha de fulano de tal que mora no São Pedro Itimirim, depois do Zeca Gonçalves perto da Emilistrina do João Pereira! Menina, menina, ocê é minha afilhada, deixa eu cair fora antes de fazer mais besteira. Até a volta.
A menina pegou a mão do Pedralvo bejou-a e disse: bença, meu padrinho, dê lembranças a minha madrinha!
Ele chamou os colegas, vamos turma, por nada que eu faço mais uma cachorrada. Se for me confessar com o Padre Sady e contar esse episódio, ele irá mandar eu rezar 300 pai nosso e 300 ave marias. Discunjuro!
Os causos de “Taíde” / O Caminho, ano I-Edição 05 - Pág.:04-Coluna/MG - Junho de 2009
Os causos do “Taíde”: João Amaro e dona Benedita
Os causos do "Taíde" / O Caminho, ano I - Edição 10 - Pág.: 03 - Coluna / MG - Novembro 2009
Os causos do “Taíde”: Geraldo Vaqueiro
E falando em convivência de vida me lembrei dos nossos vaqueiros, homens destemidos, cheios de disposições, que levantam cedinho e vão para o pasto em busca das acas enquanto os bezerros saudosos berram e almejam a chegada da mamãe que desce do alto com o úbere pesado de leite para a aliviada ordenha.
Tínhamos em Coluna, Geraldo Severino da Silva, conhecido por todos domo Geraldo Vaqueiro. Chapéu de couro acabanado, pé pro mato, andado gingado demonstrando ser de fato um sertanejo sem mistura. Foi vaqueiro de seu Aguiar, Sebastião Freitas, Altivo Tavares, seu Getúlio Gonçalves e por fim, vaqueiro para Antônio Amador na Grota dos Cardosos. com o Geraldo era um vaqueiro simplório, o Antônio Amador ficava ali por perto da coberta para apreciar as suas mancadas (gafes).
Aconteceu uma enorme crise de tudo, devido a um forte veranico de janeiro, fevereiro e parte do mês de março, nada era encontrado: feijão, arroz, toucinho, fubá quase não se via. Toucinho, comprava-se um libra e com ela passava-se uma semana. O arroz deu uma crise no Acre e no estado do Maranhão e arroz nem pensar.
O Geraldo ficava com aquilo na cabeça, só pensava na crise: como é que vou tratar dos meus filhos? Falava sozinho em manhã, sol forte, ele foi ao pasto buscar as vacas e o garrote veio no meio e entraram para a coberta. O preocupado vaqueiro, peou a vaca, buscou o banquinho para tirar o leite mas ao invés de sentar-se debaixo da vaca, sentou-se debaixo do garrote, que ao sentir as mãos no seu dolorido saco, deu um forte pulo, coices e rabanadas.
Antônio Amador que assistia a cena disse: O que é isto Geraldo? Você peia a vaca e vai tirar leite no garrote? Vaca é vaca, garrote é garrote! Que bagunça é essa? "É a crise Tôin, é o preço do arroize, a falta da gordura, a casa vazia e os minino passano farata!".
E o garrote com os testículos doendo, com o rabo do olho mirava o Geraldo, e se os animais falassem, talvez ele diria assim: seu vaqueiro, filho de uma rabo aparado, vai tirar leite na comadre da sua madrinha.
Os Causos do "Taíde" / O Caminho, ano I - Edição 12 - Pág.: 03 - Coluna/MG - Janeiro 2010
Imagem: tirandoleite http://goo.gl/fOjqt
Os causos do “Taíde”: Maria Leandro
Certa ocasião, uma cascavel picou a Maria numa moita de banana prata, ela matou a cobra e na ponta do pau a levou para o Padre Sady: "Este bicho me mordeu padre". "Ah Dona Maria, vamos ao hospital". Ao chegar com a cascavel na ponta do pau o Dr. Saint Clair disse: "É isso mesmo que se faz padre! O senhor mata a cobra e mostra o pau!" E o Padre Sady: "Ah! Meu caro, o certo é mostrar a cobra!
É Maria Leandro, a Maria das Chaves, Maria dos Sinos, Maria das campanhistas, Maria das Flores, Maria do fuso fiadora de linhas do nosso algodão. Dia 20 próximo passado, ela completou seus 81 anos. A comunidade mais ligada a ela almejou homenageá-la com uma festinha que coma presença de alguns parentes, compadres, afilhados e nós seus amigos festejamos por demais a felicidade da Maria. Não faltou violão, viola, vozes e o tradicional parabéns: "parabéns a você... o soprar da velinha..., com quem será que a Maria vai casar..., vai depender se..., vai querer..., "ele" aceitou, mas perguntou se a Maria aposentou?
Os causos de “Taíde” / O Caminho, ano I-Edição 03 - Pág.:04-Coluna/MG - Abril de 2009
Twitês
Rs rs rs rs... sem sorrir
KKKK... sem gargalhar
e ainda tem o rá rá rá rá...
Coisas de Colunense
Colunense que é Colunense, não se apresenta com sobrenome ou profissão, mas sim com a “naturalidade” de quem diz: muito prazer meu nome é Fulano e eu sou de Coluna.
É mais ou menos assim que qualquer conterrâneo meu começa um bate papo com alguém que ele não conheça, seja dentro de um ônibus, em uma fila longa, em sala de aula, bares, orla de praia, rua onde mora e por ai vai.
Não é preciso muito tempo para que um Colunense encontre a oportunidade certa de contar alguma história da terrinha, ou ainda, convidar o novo
amigo a se hospedar por uns dias na cidade.
Convite feito é pé na estrada. Seja lá onde estiver ou como ir, e tanto faz se vai ser na virada de ano, carnaval, semana santa, no frio de julho, ou em qualquer outra época e data do ano. Está lá, um Colunense Ausente levando um amigo(a), namorado(a) ou noivo(o) para sentar-se nos bancos da praça, subir a Serra da Coluninha, tomar café nas “cozinhas dos parentes”, e confraternizar - sempre terá uma turminha reunida ao som de boa música e bom bate papo em algum lugar da cidade.
Como se não bastasse, o visitante é muitas vezes surpreendido com algumas iguarias servidas às refeições. Inhame cozido, por exemplo, amassado com leite e adoçado com açúcar ou rapadura, servido no café da manhã, é algo meio esquisito para o visitante, até que ele experimente e se surpreenda com um espontâneo “Unh! Esse troço é bom!”. Tem também a famosa banana verde frita o chá de amendoim, - amendoim torrado batido no liquidificador com leite e açúcar, fervido e servido quente em noites frias - dentre outros pratos, histórias, e situações que nada mais são que Coisas de Colunense.


